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Expedição Monte Roraima

Os encantos e mistérios do Paraíso das Cachoeiras

A Expedição Monte Roraima é o trekking dos sonhos de todo trilheiro e aventureiro e atrai as atenções de biólogos e geólogos do mundo inteiro. Sabe por quê?

O imponente Monte Roraima
Monte Roraima visto depois da travessia do Rio Kukenán

O Monte Roraima constitui um tepui (tepuy), tipo de monte em formato de mesa, típico do Planalto das Guianas. Localizado na tríplice fronteira entre Brasil a leste (5% de sua área), Guiana ao norte (10%) e Venezuela (85%), o imponente tepui é o oitavo ponto mais alto do Brasil, com 2.875 metros de altitude. A sua origem remonta ao período Proterozóico (antigo pré-cambriano), há cerca de 1,7 a 2 bilhões de anos, antes da existência de uma vida complexa no planeta! Lá em cima, encontram-se fauna e flora marcados por acentuados endemismos (grupos taxonômicos que se desenvolveram numa região restrita, causados por mecanismos de isolamento, alagamentos, movimentação de placas tectônicas – deriva continental – e, por isso, tiveram que se adaptar.

Espécie endêmica de planta vista apenas no topo do Monte Roraima
planta vista apenas no topo do Monte Roraima

No topo, o terreno acidentado, inóspito, de solo ácido e pobre devido à lixiviação promovido pelo curso das águas, que impede a fixação dos nutrientes, encontramos uma vegetação diferente de tudo o que já vimos em nossas aventuras, com diversas espécies de plantas carnívoras, bem como répteis e anfíbios que vêm sofrendo constante evolução. Por exemplo, o sapinho “brachy” que era venenoso, mas, por falta de predador, não é mais. Vimos também um quati solitário, que rondava o nosso acampamento esperando receber comida. Ainda há muito o que se descobrir no topo do Monte Roraima e a cada ano novas espécies são descobertas.

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O planalto Monte Roraima é composto de arenito e conglomerados de dioritos, recoberto por camadas de argila e depósitos de quartzo. Tudo isso, propicia a formação de alguns dos atrativos que visitamos no topo: o “Vale dos Cristais”, elevadas concentrações desse mineral formam um “tapete” de vários centímetros de cristais brancos e rosados, e o arenito, erodido pelas condições climáticas, pode assumir o formato de monolitos, assemelhando-se a animais, objetos e outros – as pedras do “golfinho”, da “tartaruga”, do “macaco”, da “igreja”, do “labirinto” e do “coração”. O interior do planalto é repleto de cavernas, fendas, cânions e sumidouros, motivos que conferem o ar de mistério ao monte.

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CLIMA:

O clima é tropical, com verão (estação seca) de dezembro a março e inverno (chuvoso) entre abril e outubro. Isto é a teoria; na prática, o clima é bastante instável e nunca se sabe quando pode chover. No topo, a temperatura cai bastante, faz frio, é úmido e é comum ter muita névoa, mais um motivo que dá um certo mistério ao local, pois só enxergamos o que está a nossa frente à medida em que vamos andando, e a sensação é de andar sobre as nuvens! Nos meses de chuva (época em que fizemos a expedição), surgem incontáveis e gigantes quedas d’água. Por isso, o Monte Roraima também é conhecido como o Paraíso das Cachoeiras.

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EL PASO DE LAS LAGRIMAS
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ABISMO

HISTÓRIA: 

No ano de 1595, durante a colonização britânica e espanhola, foi descoberta a incrível Montanha de Cristal, o Monte Roraima. Porém só foi escalado pela primeira vez no ano de 1884, pelo aventureiro Everard Ferdinand Im Thurm. O monte já foi fonte de inspiração para escritores como Arthur Conan Doyle, que descreveu em seu livro, O Mundo Perdido (1912), as riquezas naturais e belezas da região, o qual inspirou o filme de animação UP, altas aventuras!

É por toda essa história, singularidade, beleza, imponência, lendas, mistérios e dificuldade de acesso que o Monte Roraima fascina muitas pessoas, inclusive nós! Vem com a gente para mais uma aventura?

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QUANDO IR?

É quase que unânime a ideia de que a melhor época para o trekking ao Monte Roraima é entre dezembro e março. Na verdade, esse período é menos chuvoso na região, mas não significa que não choverá! O contrário também pode acontecer: há expedições no inverno em que não chove, e o grupo tem a sorte de pegar dias ensolarados e abertos. Com certeza, é menos sofrido ir na estação seca, porque os equipamentos, as barracas e as roupas não molham, além de ser menos frio. Porém você não verá as cachoeiras, pois elas secam.

Fizemos a expedição de 7 dias entre 28 de abril a 04 de maio

1º dia: sol;

2º dia: muita chuva de manhã que encheu o rio Tek e Kukenán. Como temos que atravessá-los, tivemos que esperar até meio dia para começarmos a caminhada. Depois abriu o tempo;

3º dia: a ascensão foi de muita chuva o dia inteiro. Chegamos no topo ensopados e com muito frio;

4º e 5º dias: garoa e névoa no topo o dia todo. Mesmo assim, fizemos os trekkings para visitação dos atrativos. No final do 5º dia abriu o tempo, tivemos minutos sem névoa e fomos presenteados com vistas surreais dos paredões do Monte Roraima, das dezenas de cachoeiras, do tepui vizinho, o Kukenán, e da segunda maior queda livre do mundo.

6º e 7º dias: Descida com muito sol e direito a um banho geladinho no rio Tek para relaxar os músculos.

Preparativos pro trekking Monte Roraima
Galera animada de turistas e índios venezuelanos (guias e carregadores) nos preparativos para o trekking!
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Descanso e captação de água

DOCUMENTAÇÃO

Não é exigido passaporte. Leve identidade e carteira de vacinação contra a febre amarela. Não estava sendo cobrada a Carteira Internacional de Vacinação.

COMO CHEGAR E COM QUEM IR

De Boa Vista a Pacaraima, cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela, são 23O Km pela BR-174. Passando para o lado venezuelano, já na Autopista 10 (rota internacional que corta a Gran Sabana, liga o interior ao caribe e passa por várias comunidades e aldeias), chegamos em Santa Elena de Uairén, porta de entrada para o Monte Roraima. Mas para chegar ao monte, é obrigatório estar acompanhado de um guia local, contratado diretamente na Venezuela ou por meio de agências no Brasil.

  • Contratação de um guia na Venezuela: opção que pode parecer mais econômica. Mas você terá que pesquisar um guia de confiança, montar um grupo e ainda chegar à Santa Elena por conta própria. Realmente não aconselhamos essa prática, pois há muitos “índios” descomprometidos e que abandonam seus clientes turistas no meio da expedição e nós vimos isso acontecer!
  • Contratação de uma agência venezuelana: os preços são mais acessíveis por conta da desvalorização do Bolívar em relação ao real, porém você terá que chegar a Santa Elena por conta própria e os serviços podem não ser o esperado.
  • Contratação de uma agência brasileira: Mais recomendado por ser mais seguro e incluir transporte até o lado venezuelano. Fizemos com a Clube Native (@clubenative), de Boa Vista. Recomendamos e aconselhamos! Foi uma experiência maravilhosa, pois eles operam o trekking com uma equipe de nove índios venezuelanos super unida, responsável, experiente na trilha, cozinham muitooooo bem e entendem do clima, de primeiros socorros, costuram botas, carregam toneladas e, mesmo assim, estão sempre de bom humor e dispostos a ajudar. São verdadeiros super-heróis!

ALIMENTAÇÃO, BARRACAS E EQUIPAMENTOS

Ao contratar a Clube Native, está incluso no pacote o transporte até a Venezuela, alimentação nos 7  dias de trekking, barraca dupla, isolante térmico, saco de dormir, taxas administrativas e deslocamento de retorno à Boa Vista. Você só precisa levar seu mochilão com roupas e outros equipamentos individuais que contamos no checklist . Toda a alimentação é levada pelos guias locais, que preparam as refeições fresquinhas três vezes ao dia (café da manhã, almoço e jantar). Você só precisa levar petiscos e snacks, mas não caia na tentação de levar muita comida.

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OBS1: Você pode pagar um carregador por R$250,00 (mochila até 15kg);

OBS2: Os equipamentos oferecidos pela Clube Native são de ótima qualidade. E todo o resto compramos na Casa do Pesacador.

MANEJO DE ÁGUA, LIXO E BARRACA DO COCÔ

O trajeto ao topo do Monte Roraima é estrategicamente pensado à beira de rios para a coleta de água e banho. Da mesma forma estão localizados os chamados “hotéis” lá em cima, onde os guias montam nossas barracas e ficamos “hospedados” durante a expedição. Então, não se preocupe em levar muita água. Leve uma garrafa de 2 litros, CLOR.IN para desinfetação, e vá planejando a sua próxima captação de água. Os índios vão avisando os pontos. Leve também uma sacolinha para colocar o lixo que você produz durante a trilha e na barraca, depois vá entregando aos guias. Para fazer xixi, você pode ir no mato. Para fazer o nº2 existe a “barraca do cocô”, com penico e sacolinha com cal. Os guias também vão recolhendo.

O TREKKING (DIA A DIA)

DIA 1

-Saída de Boa Vista às 5:00h rumo à fronteira (Santa Elena de Uairén). Às 7:30h tem parada para café da manhã em Pacaraima;

-Rumo ao Paraitepuy: embarque nas Toyotas tacionadas. É cerca de 1:30 de 4×4 até o Paraitepuy, onde almoçamos, recebemos nossos isolantes térmicos e sacos de dormir;

-Trekking até o 1º acampamento Tokwõno, às margens do rio Tek: São 14 km de caminhada, mais ou menos 5 horas de caminhada a céu aberto, em meio à Gran Sabana, passando por riachos para tomar água e encher as garrafas. Lá, os índios montam as barracas e preparam o jantar enquanto tomamos banho no rio.

-Recomenda-se fazer o trekking de calça (para evitar picadas de puri puri e camisas de manga longa com proteção UV. Usar protetor solar, repelente e chapéu.

Dia 2

-Rumo à base: São cerca de 11 km até o acampamento Base, chegando a uma altitude de 1.850 metros. Logo no início da caminhada, atravessamos o Rio Kukenán.

-Recomenda-se atravessar de meias, pois elas aderem às pedras do rio, ou de papetes (tipo crocs). Também é legal usar aquelas calças que viram bermudas e ter a capa de chuva sempre de fácil acesso.

Dia 3 (1ª noite no topo)

-Hora de subir a rampa: da base ao topo são 3 km de subida, 4 a 5 horas de caminhada. “La rampa” é uma fenda natural que forma uma trilha que dá o único acesso ao topo do Monte Roraima. A fauna e a flora são muito exuberantes, e podemos observar várias espécies endêmicas, que só existem lá. A floresta já é úmida, com muitas travessias de pontos de águas, inclusive o  Salto Passo das Lágrimas. Passamos também por 2 “miradores” (mirantes), de onde observamos a Gran Sabana. Chegando ao topo, ainda caminhamos para chegar nos abrigos naturais, cavernas conhecidas como “hotéis”, localizados a 2.800 metros de altitude.

-Recomenda-se vestir calças e mangas longas. Devemos ter as mãos livres para segurarmos em galhos e raízes. Tomar cuidado com as pedras soltas. Quem precisar, use tensores para joelhos e tornozelos, pois são muito sobrecarregados.

Dias 4 e 5 (Tour pelo topo)

-Café da manhã e saída com destino aos atrativos do monte. Os guias fazem os roteiros dependendo do clima e disposição do grupo. Pode-se caminhar o dia inteiro, retornando apenas no final da tarde, ou caminhadas matutinas, com retorno para o almoço no “hotel” e depois caminhada vespertina. Mais uma vez, a quantidade de atrativos visitados vai depender do ritmo do grupo e das condições climáticas.

-Para o tour em cima do Roraima, recomenda-se usar vestimentas de acordo com o clima, levar capa de chuva, casaco corta-vento, protetor solar (mesmo nublado e com névoa, o sol queima), protetor labial, bandanas, balaclavas, lanche para a trilha.

Dia 6 (Início do retorno)

-Descida e retorno ao acampamento Tokwõno: Logo após o café da manhã, inicia-se a descida, com parada para almoço e descanso no acampamento Base. Depois, seguimos em direção ao acampamento às margens do rio Kukenán, podendo nos deliciar com um refrescante banho de água gelada para relaxar os músculos. São 14 km de caminhada.

Dia 7

-Rumo à Santa Elena e retorno à Boa Vista: Logo após o café da manhã, fazemos o trekking até Paraitepuy. São cerca de 4 horas de caminhada. Chegando lá, vamos de Toyota 4×4 à comunidade  de São Francisco de Yuruani, onde comemos um delicioso almoço (não incluso no pacote), visitamos algumas lojas de artesanato e seguimos viagem para Boa Vista.

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