O nosso dia a dia no Monte Roraima

Os detalhes da nossa rotina no maior tepui do mundo!

Tem o sonho de fazer a Expedição Monte Roraima? Mas não sabe o que te espera por lá? Saiba aqui como foi o nosso dia a dia durante os 7 dias de trekking no ‘Mundo Perdido’!

Vista do rio Kukenán e Monte Roraima
Abaixo, o Rio Kukenán, o qual atravessamos com o auxílio de uma corda. Ao fundo, o imponente Monte Roraima.

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Checklist Monte Roraima

Mesmo lendo muito a respeito do Monte Roraima antes da viagem, vimos que nada transcreve aquele paraíso fascinante! Quer dizer, o topo muitas pessoas descrevem ou vemos fotos no Google. Mas todo o trekking, o dia a dia, os dias de caminhada, os  dias da subida e da descida e a mágica que envolve os nossos momentos no Parque Nacional Canaima, ninguém escreve com clareza! Nós iremos contar tudo pra vocês: sentimentos, pensamentos, obstáculos reais, a comida, o banho, a hora de fazer as necessidades, tudinho! Vem com a gente!

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Em cima da Pedra Maverick, ponto culminante do Monte Roraima

Dia 1:

Fomos dormir às 02:00 da manhã preparando os mochilões, na verdade, a ansiedade não permitiu que pegássemos no sono cedo! Encontramos o grupo na agência Clube Native às 05:00 e partimos rumo à Santa Elena de Uairén, na Venezuela. Estava chovendo muito e ficamos preocupados em nos molhar logo no primeiro dia! Lá, encontramos com o grupo de nove índios, os nossos guias e carregadores! De lá, partimos a Paraitepuy, aldeia onde assinamos um livro de controle, almoçamos e começamos a caminhada de 14 km, por volta das 13:30. A chuva tinha parado e estava sol. Ufa! Como já havíamos lido, o tempo é muito instável por lá mesmo! Apesar de longa, a jornada é bem tranquila, com apenas uma subida íngreme, de matar, no começo. Passando por ela, vamos caminhando em solo argiloso, a céu aberto, parando para descansar e beber água em riachos. Aproveitamos para conversar e conhecer uns aos outros. Ah, e com a vista do inspirador Roraima e de seu tepui vizinho, o Kukenán. Chegamos ao acampamento Tokwõno às 17:30, ainda à luz do dia, o que permitiu que tomássemos banho no rio Tek. Enquanto isso, os índios montavam nossas barracas e preparavam o jantar. A comida era deliciosa e o diferencial da Clube Native é que eles levam banquinhos para o grupo não sentar no chão. Naquela noite, caiu um temporal e choveu a noite inteira, mas dormimos muito bem!

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Primeiro jantar preparado pelos índios venezuelanos, no acampamento Tokwõno. Delicioso!

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Dia 2:

Alvorada às 06:00. Amanheceu garoando, tepuis encobertos de névoas. Fomos ao rio lavar o rosto e fazer xixi no mato. Quando retornamos, o café já estava servido e que café! Com ovos, arepas (bolinho de milho frito típico da Venezuela), suquinho, melão e café quentinho! Enquanto comíamos, começou a chover muito forte e encheu o rio Tek. Nossos guias disseram que teríamos que esperar a chuva passar e o rio baixar. Ficamos com as mochilas prontas embaixo de uma casinha, sentados nos banquinhos e conversando. Meio dia, a chuva parou e o rio baixou. Foi hora de partir! Tiramos as botas e atravessamos o rio de meias para maior aderência, pois além de as pedras serem escorregadias, a correnteza do rio ainda estava forte. Transposto o rio, andamos de meias no solo argiloso e molhado, bem de boa, até chegarmos no mirante da Igreja, onde paramos para almoçar e esperarmos o rio Kukenán baixar. Como estava demorando, os guias resolveram seguir a caminhada, atravessando o rio em duas partes e com a ajuda de uma corda. Foi um sucesso! Calçamos, enfim, nossas botas com meias secas, penduramos as molhadas no mochilão e depois de 2 horas, chegamos ao acampamento militar. Os guias tomaram a decisão de não estendermos ao acampamento Base, pois ficaria muito tarde para montarem as barracas e prepararem o jantar. Nessa noite, fomos presenteados com o nascimento da lua cheia por trás do Monte Roraima, um espetáculo! TV pra quê, né? Além disso, o jantar estava divino! Não tomamos banho e nos limpamos com lenços umedecidos mesmo. Dormimos muito bem e choveu de madrugada.

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Café da manhã reforçado! Uma delícia!
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Travessia do Rio Tek – Monte Roraima encoberto de névoa!

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“Ovo de Narceja”, para quem assistiu ao filme “Up, altas aventuras!” haha
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Travessia do Rio Kukenán
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Devido à forte chuva da manhã, tivemos que atravessar o Kukenán com o auxílio de cordas!

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Acampamento militar - Expedição Monte Roraima
Acampamento Militar, a 3 horas do acampamento Base

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Jantar 2ª noite

Dia 3:

Alvorada às 06:00, o dia amanheceu estável. Como a chuva do dia anterior atrasou o nosso trekking, o que seria um dia “apenas” de subida, foi de 3 horas de caminhada + 4 horas de subida! Cada um no seu ritmo, combinamos de  nos reunir no acampamento Base, onde chegamos por volta das 10:30. Ficamos descansando, comemos uns snacks e esperamos o restante do grupo chegar, por volta das 12:00. Iniciamos, então, a subida de 3 km! Nessa hora, começou a chover demais! Vestimos as Anoraks (casacos corta-vento e impermeáveis) e capas de chuva, e protegemos as mochilas com os sacos à prova d’água. Subimos em meio à floresta úmida, passando por diversas corredeiras, encharcando as botas. Já estávamos todos muito molhados e com fome, quando decidimos parar para almoçar e esperar alguns do grupo que ficaram para trás. Os guias são tão hábeis que armaram uma tenda nas árvores para servirem o almoço, com chuva caindo e tudo! O frio começou a bater e resolvemos continuar a subida rapidamente para esquentarmos os corpos. A surpresa veio em seguida: tínhamos que passar por baixo do Salto Passo das Lágrimas e nos ensopar de vez! Dali em diante, à medida em que subíamos, o frio só aumentava! Por volta das 17:00, e sem sol nenhum, chegamos ao topo, mas tivemos que esperar por um dos guias para nos levar ao nosso”hotel”. Enquanto isso, nos abrigamos da chuva e do  vento atrás de uma pedra. Depois de 15 minutos, o guia nos conduziu à trilha ao nosso acampamento. Tremendo de frio e muito cansados, fomos recebidos com café quente e barracas montadas. Armamos um varal, trocamos as roupas molhadas por outras quentinhas e jantamos um delicioso penne à bolonhesa!

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Café da manhã 3º dia
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Café da manhã reforçado para aguentarmos a subida de “la rampa”: arepas, ovo frito e queijo ralado!

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Já no acampamento Base, descansamos e colocamos as Anoraks para nos proteger da chuva.
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Parte da subida onde pedimos permissão para aos espíritos do Monte Roraima para ascendermos o tepui
Expedição Monte Roraima- almoço
Almoço no meio da “La rampa”

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Atravessando o Passo das Lágrimas
Sapinho preto símbolo do Monte Roraima
Oreophrynella quelchi – sapinho preto, endêmico do tepui. O melanismo é um fenômeno comum lá no topo, como forma de proteção aos raios UV.
Jantar 3º dia expedição Monte Roraima
1º jantar no topo do monte – 3º dia

Dias 4 e 5:

Acordamos cedo para tomar café e fazer o tour pelo topo. Esperávamos que o dia amanhecesse ensolarado e aberto, uma vez que o dia anterior foi de muita chuva. Mas, ao contrário das nossas expectativas, o nosso quarto dia de expedição foi todo nublado, chuvoso e o monte estava encoberto de névoa. Mesmo assim, os guias e o grupo animaram de fazermos as trilhas na chuva (que dava umas pausas), para conhecermos alguns atrativos. Além da longa caminhada de subida e descida, os dias em cima do Monte Roraima são uma verdadeira aventura. A superfície do imponente tepui tem de 33 a 55 km² e as dezenas de atrativos naturais ficam espalhados nessa abrangente área. Então, dependendo do “hotel” que seu grupo ficar, as trilhas podem ser curtas ou longas. Por exemplo, nós estávamos no “Hotel Sucre”, perto 30 minutos da Pedra Maverick, 30 minutos das Jacuzzis, 40 minutos da La Ventana e Abismo, 1 hora do Cânion dos Guácharos e da Caverna. Porém, estávamos a 14 km do marco da Tríplice Fronteira, do Vale dos Cristais e muito mais longe da Proa. Por isso, todos os dias, a alvorada era às 6:30, os índios serviam o café e às 7:30 saíamos para a caminhada matinal, passando por um itinerário de atrações. Voltávamos para o almoço e à tarde, tinha mais trilha para visitação. Levávamos sempre água, lanches, capas de chuva, lanternas de cabeça e equipamentos de fotos. Por volta das 15:00 do primeiro dia no topo, nosso guia perguntou quem gostaria de ir às jacuzzis, apesar de o tempo estar nublado e frio. Logicamente, fomos! Fizemos a trilha de meia hora, passando por paisagens belíssimas: caminhos de areia e cristais, piscinas cristalinas, lagos e fendas! Ao avistarmos a atração, nem acreditávamos! Ficamos malucos de ver “pessoalmente” o que tanto nos encantava por fotos! Revesamos para tirar fotos uns dos outros, porque a água era tão gelada que não podíamos ficar muito tempo nela, muito menos molhados do lado de fora! O chão das jacuzzis tinha umas pedrinhas de cristais que refletiam os tons dourado e esverdeado, coisa linda! Também havia uns insetos pretos parecidos com “baratas” dentro da água. A princípio, achamos que podiam nos picar, mas percebemos que à medida em que nos aproximávamos, eles fugiam. Para nós, aquele foi o momento ápice da expedição, pois tínhamos realizado o sonho de tomar banho num dos pontos turísticos mais famosos do Monte Roraima. E, por causa disso, a alegria individual de cada um foi se somando, a ponto de estarmos realmente envolvidos por uma energia positiva contagiante. Todos ríamos demais! Ah, e também aproveitamos para nos lavar com sabão de coco! Ao retornarmos, trocamos de roupa, jantamos e fomos dormir.

 

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café da manhã- 4º dia
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E o dia amanheceu assim!

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E no meio do caminho tinha um charco…um não! vários!

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No nosso segundo dia no topo, quinto de expedição, não saímos de manhã porque o tempo estava muito ruim e ninguém queria se molhar e passar frio. Ficamos nas barracas, uns conversando, outros lendo e dormindo. Após o almoço, a chuva deu uma trégua e o nosso guia mais experiente anunciou: “vamos nos arrumar depressa! Talvez pegaremos os mirantes La Ventana e Abismo sem névoa e conseguiremos as vistas dos paredões e das cachoeiras!” Ficamos tão felizes em ouvir aquilo que, em 5 minutos, vestimos nossas roupas molhadas, ajeitamos a mochila de ataque e partimos! Alguns do grupo decidiram ficar no ‘hotel’. Após 30 minutinhos de trilha, a qual fizemos praticamente correndo, chegamos na “Janela”. É um pouco amedrontador olhar aquela vista àquela altura! Dava para ver o paredão do Roraima, o Kukenán logo à frente e as dezenas de cachoeiras gigantes despencando de ambos, inclusive o segundo maior salto em queda livre do mundo! Sentimo-nos privilegiados de termos tido disposição e saúde para estarmos naquele lugar surreal! Tiramos muuuuiitaaassss fotos e fomos correndo ao Abismo, antes que a névoa chegasse e encobrisse tudo novamente. Lá, com vista para o lado da Guiana, pudemos ver todo o setor norte do Monte Roraima (onde ficam a Tríplice Fronteira e a Proa), mais cachoeiras gigantes, parte de floresta, gran sabana e rios lá embaixo. Era tudo muito lindo! Tiramos mais fotos e voltamos antes do escurecer. Como de costume, jantamos e fomos dormir. Aquela foi a noite mais fria lá em cima; dormimos com duas meias, gorro e cachecol enrolado no pescoço!

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E olha quem veio nos visitar no hotel!

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Dias 6 e 7:

No dia da descida, acordamos às 05:30 para ajeitarmos os mochilões e nos prepararmos para a pernada de quase 10 horas (3h descida + 7h até chegarmos no acampamento Tokwõno, às margens do rio Tek), contando com paradas para almoço, no acampamento Base, para descanso e água. E vocês não acreditam!! O dia estava lindo com sol rachando! Para descer, eu (Lyla) paguei R$50,00 a um carregador, a fim de não sobrecarregar meus joelhos, que já são “bichados”. Tudo ocorreu super bem! Até a parte de passar por baixo do Salto “Passo das Lágrimas” foi tranquilo, porque a vazão de água estava pequena e não nos encharcamos! Chegamos no acampamento Base por volta das 11:00, descansamos, esperamos o grupo e os guias para almoçarmos. Em seguida, partimos para o Tokowõno, onde chegamos por volta das 17:00; relaxamos e nos refrescamos num banho gelado no rio Tek. Gente, o joelho e os músculos das pernas chegavam a estalar de tanto que foram usados! Pagamos para os índios trazerem uma caixa de cervejas para comemorarmos o sucesso da expedição, assim, nosso jantar foi bem agradável, com muitos risos e histórias.

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Banho refrescante e relaxante no rio Tek, acampamento Tokwõno
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Um brinde ao sucesso!
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Último jantar da Expedição Monte Roraima

No dia seguinte, acordamos às 06:00, tomamos café e começamos a caminhada às 08:00. Foi o dia em que tudo doía! Os quadríceps e as panturrilhas, muito utilizadas na descida, estavam fadigadas, como se tivéssemos feito musculação. Também por  conta da descida, os dedos criaram bolhas de tanto ficarem pressionados na parte da frente da bota. Tava difícil andar confortavelmente. O bom era que aquele último trajeto até chegar à aldeia de Paraitepuy era suave! Longo, mas suave! Embaixo de sol, passamos bastante protetor e usamos nossos chapéus estilo legionário. Fomos manejando a captação de água e, às 12:30, chegamos! Vencemos e concluímos com sucesso o que nos propomos a fazer! Choramos de emoção e fomos recepcionados pela Clube Native com cervejas venezuelanas (Zulia) muito boas, bananas, melancia e água! Quando todos do grupo chegaram, partimos de Toyota a San Francisco de Yuruani, onde almoçamos e visitamos lojinhas de artesanatos.

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Fomos recebidos pela Clube Native com Zulia, cerveja venezuelana!
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E teve medalha, sim! Mimo da Clube Native – artesanato feito de pedra-sabão pelos índios venezuelanos.

 

Isso foi um pouco do nosso dia a dia durante a Expedição Monte Roraima

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Post Author: nosdoisporai

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